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Lie to me? Os olhos podem mentir e as pupilas podem trair

Lie To Me é uma série televisiva estadunidense na qual o personagem principal, Dr. Cal Lightman (Tim Roth), detecta fraudes observando a linguagem corporal e as micro expressões faciais para descobrir a verdade que alguém possa estar escondendo. Segundo os criadores da série, o Dr. Cal Lightman foi baseado em Paul Ekman, notável psicólogo e expert em linguagem corporal e expressões faciais cujo trabalho científico de Paul Ekman tem sido desenvolvido em diversos países.

Por conta desta e de outras séries com o mesmo mote, muita gente passou a acreditar que, ao observar o movimento dos olhos de uma pessoa, por exemplo, é possível saber se ela está mentindo ou não e as técnicas passaram até a serem ensinadas em cursos de treinamento organizacional.

Mas um estudo recente realizado pela psicóloga Caroline Watt, da Universidade de Edimburgo (Reino Unido), colocou este mito à prova e a conclusão é que a noção de que “os olhos não mentem” não se confirma. “Nosso estudo não encontrou base para essa ideia e sugere que está na hora de abandoná-la”, resume a psicóloga.

O estudo teve três partes. Na primeira, a equipe chefiada por Caroline pediu aos 32 participantes para que escondessem um aparelho celular e voltassem até eles. Em seguida, tiveram seus depoimentos gravados duas vezes (em uma delas, mentindo e, na outra, dizendo a verdade). Os vídeos, sem som, foram comparados por um grupo de avaliadores, que, apenas observando os olhos do participante, não souberam dizer quando ele estava mentindo.

Na segunda parte do estudo, 50 pessoas foram treinadas para reconhecer padrões de movimentação dos olhos. Ainda assim, elas não conseguiram identificar quem estava mentindo. Os cientistas ainda especularam a possibilidade das mentiras serem muito “leves” já que, se fossem descobertas, não aconteceria nada demais. Assim, na terceira parte do estudo, os pesquisadores analisaram gravações de depoimentos feitos a policiais, nos quais a pessoa pedia que buscassem parentes ou amigos que haviam desaparecido.

Na metade dos casos, a pessoa estava mentindo (conforme revelavam as investigações policias), mas os movimentos de seus olhos não revelava isso - eram praticamente iguais aos das pessoas que diziam a verdade em seus depoimentos.

Se os olhos podem mentir, as pupilas, porém, podem trair. Acontece que as pupilas se dilatam quando estamos estressados e não somente quando estamos em um ambiente escuro. Para enxergar em um ambiente com pouca luz, precisamos que uma quantidade maior de iluminação chegue a nossos olhos. Quando estamos em um lugar iluminado, porém, precisamos de uma quantidade menor de luz para que não fiquemos cegos. Nos casos de estresse, esse reflexo é causado pela liberação de um hormônio no organismo, que também é liberado quando exercitamos a memória ou tomamos uma decisão.

Cientistas investigaram esse processo, pedindo para que voluntários escolhessem um de cinco números que apareciam em uma tela (por dois segundos, cada) e apertar um botão depois que a escolha havia sido feita. Aparelhos que monitoravam os olhos dos participantes indicaram que a pupila deles ficava maior justamente quando o número de sua escolha aparecia na tela. Então os pesquisadores conseguiram prever qual número seria o escolhido antes mesmo que o participante apertasse o botão indicando sua escolha.

Além de indicar as decisões de antemão, o estudo da dilatação da pupila também pode ajudar pessoas que sofrem de paralisia e não conseguem se comunicar normalmente – pelo menos para indicar a resposta de perguntas simples e não para indicar se estão mentindo ou não. Isso, por enquanto, parece só funcionar em seriados policiais.


(Fonte: New Scientist)

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