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Do Pináculo da Tentação, braços abertos sobre o mundo

Pináculo da Tentação foi o nome dado ao Morro do Corcovado pelos primeiros portugueses que em nossas terras aportaram. Uma citação ao monte bíblico onde o demônio teria tentado Cristo pela segunda vez. O nome Corcovado é adotado no século seguinte, pois o monte lembraria uma corcunda (“corcova”).

Em 1859, o missionário lazarista Pedro Maria Boss se encanta com a beleza da Baía de Guanabara e da montanha, e tem a ideia de construir uma estátua monumental de Cristo no alto do então Pináculo. Ele sugere à princesa Isabel a construção de um monumento no local. Entretanto, faltava naquele momento a presença de uma força capaz de arcar com as responsabilidades de tamanho empreendimento.

Isso só foi acontecer em 1921, como comemoração dos 100 anos de independência. Na ocasião, foi aberto um concurso para escolher um projeto. Segundo o desenho original, Jesus seguraria um globo terrestre e uma cruz nas mãos.

A cessão do terreno do Corcovado para o Cristo irritou a Igreja Batista. Mas o então presidente à época, Epitácio Pessoa, autorizou a obra usando o curioso argumento de que a Igreja Católica levou porque pediu primeiro. Ainda assim, em 23 de março de 1923, seguidores da Igreja Batista declararam, em nota publicada em O Jornal Batista, órgão oficial da Convenção Batista Brasileira, seu desgosto quanto à construção do Cristo Redentor. A nota afirmava que a construção "será, a um tempo, um atestado eloquente de idolatria da Igreja de Roma".

Entretanto, a Igreja Católica sempre se manteve firme em sua posição, argumentando jamais ter adotado a idolatria em sua doutrina, esclarecendo continuamente que as imagens de santos em suas igrejas são vistas por seus fiéis como exemplos de fé a serem seguidos.

A pedra fundamental do monumento foi lançada em 4 de abril de 1922, mas as obras somente foram iniciadas em 1926. Dentre as pessoas que colaboraram para a realização, podem ser citados o engenheiro Heitor da Silva Costa (autor do projeto escolhido em 1923), o artista plástico Carlos Oswald (autor do desenho final do monumento) e o escultor francês Paul Landowski (executor dos braços e do rosto da escultura).

Ainda hoje, algumas pessoas dizem que o monumento foi um presente da França para o Brasil, quando, na verdade, a obra foi erigida a partir de doações de fiéis de arquidioceses e paróquias por todo o país. Da França só vieram, de verdade, apenas uma réplica de quatro metros feita de pequenos moldes, assim como modelos das mãos feitos pelo colaborador Landowski. Todos estes fatos foram atestados com rigor no programa televisivo Detetives da História produzido pelo programa The History Channel.

O Cristo levou 5 anos para ser erguido, metade do tempo da Estátua da Liberdade. Também foi mais barato: custou 2 500 contos de réis (R$ 9,5 milhões) enquanto a Estátua da Liberdade custou 60 mil. E, embora seja um projeto perigoso - a 710 metros do chão - não houve acidentes graves entre os mil trabalhadores – fato considerado um verdadeiro milagre do Cristo.

Detalhes curiosos: a coroa de espinhos na cabeça é, na verdade, um para-raios (o Cristo já perdeu sobrancelha, lábio inferior e um dedo para os raios). A estátua tem dois corações: um externo e um interno, onde está o nome da família de Levy, que era judeu quando começou o trabalho mas, ao final da obra, se converteu ao cristianismo. Há nomes também atrás dos pedaços de pedra-sabão que a forram. São amigos e familiares das mulheres que fizeram o revestimento.

Na cerimônia de inauguração, no dia 12 de outubro de 1931, a iluminação do monumento foi acionada a partir da cidade de Roma, de onde o cientista italiano Guglielmo Marconi emitiu um sinal elétrico que foi retransmitido para uma antena situada no bairro carioca de Jacarepaguá, via uma estação receptora localizada em Dorchester, Inglaterra, tudo a convite de Assis Chateaubriand. O sistema de iluminação original foi substituído duas vezes: em 1932 e 2000.

Tombado definitivamente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 2009, o Monumento ao Cristo Redentor passou por obras de recuperação em 1980, quando da visita do Papa João Paulo II. Em 1990, sofreu uma ampla restauração.

No dia 7 de julho de 2007, em uma festa realizada em Portugal, o Cristo Redentor foi incluído entre as novas sete maravilhas do mundo moderno. A decisão, após um concurso informal, foi baseada em votos populares (internet e telefone), votação que ultrapassou a casa dos cem milhões de votos. E eis o Cristo em outra controvérsia: o concurso não possui o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, que apontou a falta de critérios científicos para a escolha das maravilhas.

Mas nada se compara à briga que rola até hoje nos tribunais entre os herdeiros de Heitor Costa, o arquiteto, e de Paul Landowski, o escultor, para saber quem é o "pai" do Cristo.

Neste caso, as palavras do missionário Pedro Maria Boss parecem ecoar como uma profecia:

“O Corcovado! ... Sim, aqui está o pedestal único no mundo! Quando vem a estátua colossal, imagem de Quem me fez?”



(Fontes: Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, site oficial do Corcovado & The History Channel)

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